Dica: 5. Dentes sob Alta Tensão

estresse ajuda na proliferação das cáries e causa mau hálito. Dessa forma, além de uma boa escovação, é preciso manter a vida sob controle.

Uma pessoa medrosa pode ter aftas. O temor aumenta a acidez da saliva. Insônia, cansaço, úlceras estomacais, tontura. As conseqüências negativas que o estresse provoca no corpo são bem conhecidas. O que poucos sabem é que a tensão prolongada ou excessiva também deixa marcas significativas dentro da boca. Ela reduz os níveis de saliva, altera sua composição, excita os músculos mandibulares e enfraquece nossas defesas. Assim, mesmo quem escova os dentes com dedicação pode ser surpreendido com uma cárie ou uma afta. E não só: ranger os dentes, gengivite, herpes, tártaro, sapinho, mau hálito e até câncer são influenciados em menor ou maior grau pelas emoções. “Cada vez mais se comprova que o estresse está relacionado com quase todas a doenças”, afirma o cirurgião-dentista Miguel nobre, presidente do conselho federal de Odontologia.

Fonte do mau hálito
Ninguém está livre dos malefícios do estresse. Em algum momento da vida, a gente pode ficar à sua mercê e sentir seus efeitos na boca. “Depois que comecei a fazer um questionário com meus pacientes com mau hálito, descobri que, em 70% dos casos, havia algum fator emocional envolvido”, diz a dentista Silvia Brito, da Clínica do Tratamento do Hálito, no Rio de Janeiro.
Nos últimos três anos, pesquisadores brasileiros se concentram na busca de explicações para as causas do mau hálito. Em instituições como a Universidade Estadual de Campinas(Unicamp), Universidade do Estado de Rio de Janeiro (Uerj) e Universidade Estadual Paulista (Unesp), os professores de odonto realizam estudos tendo seus alunos como voluntários. Nos trabalhos, notou-se que a quantidade de saliva varia muito ao longo do tempo. Exame colhidos na véspera de provas, quando a tensão vai às alturas, mostraram que o volume do líquido era em média 30% menor do que num dia corriqueiro. “Uma pessoa muito estressada pode produzir apenas metade da quantidade de saliva de uma pessoa normal”, diz Silvia Brito.

Agente de limpeza
Alterações salivares são pra lá de prejudiciais. O líquido é aplicado faxineiro bucal e varre resíduos que podem servir de alimento para bactérias. Quando seus níveis caem, os germes entram em ação e liberam malcheirosos compostos de enxofre. Além disso, uma saliva muito pouco ácida leva à formação de cáries, tártaros e aftas.

A psicologia da saliva
Entenda como o equilíbrio da boca pode ser modificado. Para isso, não é preciso muita coisa

Uma dívida para pagar ou a pressão no trabalho são fatores clássico de estresse, que afetam a resistência imunológica do corpo de um modo geral. Com as baixas no exército de glóbulos brancos do sangue, a probabilidade de doenças e infecções surgirem cresce exponencialmente. Na boca, a brecha na segurança faz com que o vírus, fungos e bactéria, hospedados pacificamente pelo organismo, passem a ataca-lo. É nessas horas que aumenta a incidência de herpes e do famoso sapinho. Embora sejam influenciados pelos mais diversos fatores, como insolação e má alimentação, é inegável o papel do estresse. Em casos em que há sinais de depressão, é possível deparar-se com câncer bucal, uma vez que os glóbulos brancos não são suficientes para expulsar da boca as células mutantes culpadas pelo problema.

Calma nessa hora 
Quando os fatores psicológicos estão envolvidos, contornar esses males não é uma tarefa tranqüila. O caminho na maioria das vezes é longo e trabalhoso e exige toda uma mudança de comportamento que vai além da higiene bucal. Ansiosos em sair da situação, muitos arriscam um atalho tomando bebidas alcoólicas ou usando antidepressivos e calmantes para eliminar o estresse. O tiro sai pela culatra. Tanto o álcool como esses remédios têm o poder de reduzir o volume de saliva – basta sentir o odor da boca de quem acorda de uma ressaca. Com pouca proteção, abre-se espaço para cárie, o tártaro e a afta.
Na maioria das vezes, os dentistas preferem atacar os sintomas. Para reduzir os efeitos do ranger de dentes, a solução normalmente é moldar uma placa de plástico que amortece o impacto entre os dentes. Em outros casos, pode-se contar com dicas preciosas. Quando não se tem muito tempo para uma boa escovação, mascar um chiclete sem açúcar ajuda a disfarçar o mau hálito. “A mastigação estimula o trabalho das glândulas salivares”, diz Silvia Brito. No mais, quando está claro que as causas são psicológicas, vale tentar uma conversa franca com o paciente no consultório. Hábitos saudáveis como a prática de exercícios físicos, alimentação equilibrada e boas noites de sono sempre foram os melhores conselhos para quem leva uma vida estressada e sem tempo. Ensinamentos antigos para problemas muito atuais.

A força exercida durante o ranger de dentes é tão intensa que muitas vezes não é possível reproduzi-la em estado de vigília.
Consumir bebidas alcoólicas para relaxar podem piorar ainda mais o mau hálito.

Cárie
O dente e a saliva estão constantemente trocando minerais. Porém, com a ácida, a concentração de sais no ambiente bucal é pequena. Assim, se normalmente o dente ganhava e perdia minerais para a saliva, nessa situação ele só doa e não ganha nada. Isso aumenta o risco de cáries porque o esmalte fica fragilizado.

Tártaro
Quando a saliva está com pH básica (o oposto do ácido), a concentração de sais é bem maior.Isso também não é bom. O excesso de sai petrifica as bactérias na parede do dente, formando uma placa, o tártaro. Com o tempo, a placa pode crescer e penetrar no vão entre o dente e a gengiva, deixando-o bambo e ameaçando de cair.

Afta
Se há saliva suficiente, o bicarbonato de sódio, que está presente nela, reage com as moléculas ácidas, neutralizando-as. Mas, com pouca saliva, os ácidos acabam ficando livres e podem atacar a boca, provocando as aftasa.

Mau hálito
A língua é povoada por bactérias que comem as células que sedesprendem das mucosas da boca. Só a saliva é capaz de dar fim a essa festa. Ela faz uma lavagem, arrastando as células soltas e as bactérias. No entanto, quando não há saliva suficiente, os bichinhos podem se banquetear à vontade. Ao longo da comilança, liberam malcheirosos compostos de enxofre, que ficam no ar.

Ruídos na escuridão da noite 
O ranger involuntário dos dentes se vale do sono para atacar os mais ansiosos

Quando a gente adormece, o consciente baixa a guarda e as fantasias tomam conta da mente.

Na boca, um estranho fenômeno também aproveita a ocasião para se manifestar. Em intervalos intermitentes, os dentes de cima chocam-se com violência contra os de baixo em movimentos seguidos, fazendo um ruído semelhante ao atrito entre duas pedras de granito. É bruxismo, que afeta uma grande parcela da população.Pesquisas científicas em todo o mundo revelam que entre 85% e 90% das pessoas um dia irão passar por um episódio como esse em algum momento de suas vidas. Embora seja um mal comum, não é muito notado por uma razão simples: apenas de 5% a 20% das pessoas se dão conta da situação, o restante continua dormindo tranqüilamente. Por isso, muitas vezes quem dá o alarme é o companheiro ou a companheira que compartilha a cama. ‘É um hábito parecido com o de chupar os dedos ou morder a caneta”, diz o dentista e especialista nesse tipo de disfunções Marco Salioni, de Campinas, no interior de São Paulo. “O indivíduo geralmente não sabe o que está fazendo.”

O alvo preferencial do bruxismo são as pessoas ansiosas e tensas, que não sabem lidar com emoções negativas e frustrações. ” O sono traz as reações que reprimimos quando estamos acordados”, diz a especialista em odontologia psicossomática Heloísa Coelho, de São Paulo.” Mas não podemos nos esquecer de que muitas pessoas também apertam os dentes quando estão acordadas na frente do computador ou no transito.”

As conseqüências para a boca podem ser terríveis. Dores de cabeça, músculos das articulações mandibulares doloridos, dificuldade para realizar movimentos bucais, sono entrecortado, dentes rachados ou em frangalhos.

FONTE: REVISTA SAÚDE – ED. ABRIL – DUDA HERRERA

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