Dica: 1. A Saúde Começa pela Boca

 

Ao dificultar a vida de bactérias que causam cáries, gengivites e afins, você estará prevenindo uma série de doenças em outras partes do corpo.

Até mesmo o mais branco dos sorrisos abriga um exercito de cerca de 560 tipos de micróbios.
Com uma boa higiene, eles não incomodam. Já a má limpeza é a senha para se multiplicarem e praticarem atos de vandalismo. Um deles, o Streptococus mutans, ganha superpoderes em contato com o açúcar e provoca cáries. Outros germes, como o Prevotella intermédia, proliferam em meio a restos alimentares e causam a gengivite, inflamação responsável por sangramentos na gengiva. Um terceiro time, que congrega a Bacteróides forsythus, detona a periodontite, capaz de corroer a base dentária.

Outros alvos
Os estragos não se restringem à boca. Os odontólogos encontram cada vez mais vínculos entre essas bactérias e males que surgem em lugares distantes dali. A proliferação de micróbios na língua, que forma uma crosta, a saburra, pode invadir o estômago e o aparelho respiratório, ocasionando gastrites ou sinusites. Os sangramentos gengivais, por sua vez, abrem portas para germes invadirem o sangue e lançarem toxinas relacionadas a infecções nas articulações e nos rins. Isso pode ser um baque temporário nas defesas por estresse.

25% das pessoas que sofrem de endocardite morrem e mal começam … adivinhe onde?
As grávidas também são suscetíveis as infecções originárias na boca, que podem causar inflamações na placenta e provocar abordos e partos prematuros. Nos diabéticos, essas infecções são responsáveis por criar um circulo vicioso. A irrigação deficiente da gengiva favorece o aumento da população de bactérias – isso porque as defesas do sangue passam a oferecer menos proteção. Daí, aumenta-se a probabilidade de ataques em outras partes do corpo. De quebra, o quadro geral de saúde só piora. O risco é reduzido em quem assume as rédeas do diabete.

À mercê dos micróbios
Se existe um alvo especialmente vulnerável, é o coração. Uma bactéria que é inofensiva na boca, o Streptococus viridans, gosta de fixar residência no endocárdio, o tecido que reveste o órgão. Sua viagem pela corrente sangüínea sempre começa com um sangramento na gengiva ou em um canal dental infectado. Uma vez instalado no peito, o microorganismo pode causar uma infecção grave, chamada endocardite, conhecida por levar suas vitimas freqüentemente à UTI. Felizmente nem todos os indivíduos correm perigos. O problema mais comum em pessoas com enfermidades congênitas ou que tenham malformações nas válvulas do coração, o popular sopro.

Benditas inflamações!
Entenda o que são e como ocorrem a gengivite e a periodontite.

O sinal de que a higiene bucal anda ruim é a inflamação crônica da gengiva, que sangra por qualquer motivo. Trata-se da gengivite, doença detonada pela o acumulo de comida e falta de limpeza. Daí, surge uma camada microbiana, o filme biológico, que irrita e inflama. A escovação e o uso de fio dental bastam para controlá-la. Antes, imaginava-se que a gengivite não tratada evoluía para periodontite, estagio no qual o final biológico, transformado em tártaro duro, corrói a base dos dentes. “Não é bem assim”, diz o periodontista Antonio Legaspe Zanatto, de São Paulo. “Muita gente pode ter gengivite sem progredir para periodontite, assim como há pessoas propensas a desenvolvê-la”. Fumantes e diabetes são mais suscetíveis ao mal. Em ambos, a irrigação sangüínea da gengiva fica prejudicada e os micróbios proliferam sem que as defesas do corpo possam agir.

Para quem sopro no coração, todo o cuidado é pouco. A higiene deve ser redobrada e as visitas ao dentista para remover o filme biológico, o novo nome da placa bacteriana, precisam ser trimestrais. E isso vale desde a mais tenra idade. “Algumas mães não ligam para cáries e inflamações em dentes de leite, porque eles não são definitivos”, lamenta o cardiologista Max Grinberg, do Instituto do coração (Incor), em São Paulo. “Mas se a criança tiver sopro, corre o risco de ter endocardite”.

O problema pode se originar em episódios de febre reumática na infância. Uma pesquisa feita pelo Incor com 200 pacientes do hospital mostrou que 90% deles tinham algum problema de higiene bucal.

“As pessoas precisam entender que ter bactérias andando pelo corpo não faz bem a ninguém”, diz Ricardo Simões Neves, diretor da Unidade de Odontologia do instituto e autor do estudo.

Os male provocados pela falta de zelo com a saúde bucal não se limitam à ação de bactérias. Esportistas, por exemplo, devem cuidar com atenção do bem-estar dos seus dentes. A eclosão de uma cárie no meio de uma competição muita vezes aniquila o desempenho. Mergulhadores podem ser vitimas de dores fortes em cáries antes assintomáticas – a sensação dolorosa causada pela alteração da pressão dos mergulhos.

O perigo de ser desdentado
É bastante comum que as cárie, a gengivite e a periodontite causem a perda de dentes. A condição de desdentado implica perigos à saúde. “Os dentes são uma engrenagem que tritura os alimentos e a falta de peças pode comprometer todo o processo”, diz Luciano Artioli Moreira, presidente da Associação Brasileira de Cirurgiões-Dentistas. No limite, pode levar à desnutrição, se o indivíduo se restringir a líquidos. Ou causar problemas digestivos, depois de se engolir grandes pedaços de alimentos. Isso se previne com próteses e dentaduras mas, ao longo da perda da dentição, uma série de prejuízos se acumula. Na ausência de um dente, os vizinhos se entortam.O mau posicionamento pode afetar a articulação mandibular, provocando estalos quando se abre a boca. Assim, o melhor e negociar um armistício com as bactérias que vêm dali . para isso, basta cuidar da higiene dos dentes.

Oito razões para você cuidar dos seus dentes com atenção
Saúde – O que você acha de ter bactérias da boca passeando pelo sangue? Isso acontece se a higiene bucal for ruim e houver sangramento na gengiva. Dar uma volta por veias e artérias, no caso desses germes, significa abrir o caminho para várias doenças.

Bem-estar – A falta de um dente faz com que o seu vizinho entorte, expondo partes sensíveis e produzindo dor. Sem falar que favorece o acumulo de alimentos e germes.

Vida social – Conhece alguém com mau hálito? A má higiene da boca piora o problema.

Dicção – Dentes em ordem são indispensáveis para desenvolver as articulações do rosto e para falar com clareza.

Aparência – Dentes maltratados envelhecem as feições e passam a impressão de desleixo. Quem não cuida deles tende a perde-los mais cedo. Já se imaginou de dentadura?

Esportes – Tende praticar atividades físicas com dor de dente. Para os atletas, isso é um pesadelo. Não há concentração que resista.

Digestão – A falta de dentes prejudica a mastigação e, conseqüentemente, a absorção da comida pelo estômago e pelo intestino.

Dinheiro – Dentistas têm soluções para quase todos os problemas causados pela má higiene bucal. Sabe quanto custa clarear os dentes? E um implante de titânio?

dica9Corpo minado
Fique por dentro do caminho percorrido pelas bactérias da boca até outras partes do organismo.

1. No cérebro
Pessoas com gengiva cronicamente inflamada têm duas vezes mais probabilidade de sofrer umacidente vascular – uma conseqüência da contaminação do sangue. E abcessos de canal também podem alcançar o cérebro.

2. No aparelho respiratório
Esse caso é bem mais raro, mas também acontece. A aspiração de bactérias da boca pode infectar os pulmões e a faringe, causando infecções como pneumonia, rinite e sinusite.

3. No coração
Indivíduos que têm doenças cardíacas congênitas correm o risco de desenvolver uma infecção severa, a endocardite, causada pelo Streptococus viridans. Essa bactéria migra da boca para a corrente sanguínea através da gengiva e se instala no tecido do coração. Outra linha de pesquisa já estabeleceu uma relação entre infecções na circulação sanguínea e a incidência de infartos, mas ainda não está totalmente comprovada a associação com a má higiene bucal.

4. No aparelho digestivo
O excesso de bactérias na saburra, crosta de germes e resto de alimentos que envolve a língua, é o culpado pelo mau hálito. Elas podem chegar ao estômago causando irritações e gastrite.

5. Nos rins
Bactérias da boca circulando pelo sangue também são uma causa de nefrite.

6. Nas articulações
Micróbios no sangue podem alcançar as articulações e provocar uma forma grave de reumatismo, a artrite séptica.

Outras condições
Diabete
Essa doença diminui a irrigação da gengiva e favorece a proliferação de bactérias. Elas podem invadir outras regiões do organismo, causar infecções e deixar o diabético ainda mais debilitado.

Em mulheres grávidas
Bactérias da boca presentes no sangue podem causar infecções na placenta, aumentando o risco de aborto e nascimento prematuro.

Os meios de contaminação
Microorganismos
– Ar e saliva
– Estômago e pulmões podem ser contaminados pela ingestão ou aspiração dos microorganismo bucais.

Bactérias
– Sangramentos da gengiva
– Eles são a principal porta de entrada no organismo para as bactérias da boca e suas toxinas nocivas.

Germes
– Canal do dente
– Quando a cárie é profunda, o canal do dente acaba afetado e os abcessos podem disseminar germes para olhos e ouvidos.
A biocibernética bucal foi criada pelos dentistas brasileiros Mário Baldani e Denisar Lopes Figueiredo nos anos 1970.

Uma outra visão
Fique por dentro do que é a biocibernética bucal
Esse ramo alternativo da odontologia crê que o desenvolvimento da arcada dentária se reflete em várias partes do organismo – os movimentos da língua e do maxilar teriam papel no fortalecimento da coluna. Sua grande bandeira é a amamentação, que dá o ritmo para o corpo se desenvolver. Já a mamadeira não estimula corretamente a sucção, pode atrofiar a mandíbula e deixar pouco espaço para os dentes nascerem. “Isso altera todo o eixo do crescimento”, diz a dentista Rita Sperandéo, de São Paulo. Para corrigir esses efeitos, os biocibernéticos recorrem a aparelhos que controlam a posição da língua e a exercícios respiratórios para fortalecer os músculos faciais.

A biocibernética bucal propõe que o bebê fique sentado na hora da amamentação. Essa posição, considerada a mais natural, seria capaz de estimular adequadamente a formação dos ossos da cabeça e dos dentes.

FONTE: REVISTA SAÚDE – ED. ABRIL – FABRÍCIO MARQUES

Quer ver mais dicas? Clique aqui!